Auto-Estima – Belldade Preta https://belldadepreta.com.br Belldade Preta é um espaço de expressão, afeto e atitude criado por Maria Isabel – a Bell, mulher preta que transforma vivência em voz. Aqui, beleza é identidade, pensamento é resistência e cada palavra carrega a potência de quem sabe de onde veio e para onde quer ir. Reflexões, cultura, autoestima, ancestralidade e tudo o que pulsa no universo da mulher preta com autenticidade e orgulho. Sun, 18 May 2025 03:10:14 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.1 https://belldadepreta.com.br/wp-content/uploads/2025/05/82c99412-bb53-4270-9331-f73d52539850-1-1-150x150.jpg Auto-Estima – Belldade Preta https://belldadepreta.com.br 32 32 244630974 A História da Mulher Negra no Mato Grosso do Sul: Invisibilidade, Resistência e Legado https://belldadepreta.com.br/a-historia-da-mulher-negra-no-mato-grosso-do-sul-invisibilidade-resistencia-e-legado/ https://belldadepreta.com.br/a-historia-da-mulher-negra-no-mato-grosso-do-sul-invisibilidade-resistencia-e-legado/#respond Sun, 18 May 2025 03:10:14 +0000 https://belldadepreta.com.br/?p=103 Quando se fala sobre a história do Mato Grosso do Sul, raramente o papel da mulher negra ganha o devido destaque. No entanto, por trás das margens dos livros oficiais e dos silêncios impostos pelas estruturas de poder, pulsa uma trajetória marcada por resistência, ancestralidade e construção coletiva. A mulher negra sul-mato-grossense tem sido protagonista de muitas lutas — e é hora de resgatar essa memória.

Raízes invisibilizadas

A presença negra no território hoje conhecido como Mato Grosso do Sul remonta ao período colonial, com o deslocamento forçado de africanos escravizados para a região do Pantanal e da fronteira, especialmente para atividades agropecuárias, domésticas e de apoio à exploração mineral. Mulheres negras eram majoritariamente destinadas ao trabalho doméstico e à reprodução forçada, mas também atuavam como parteiras, curandeiras, lavadeiras e cozinheiras — papéis que foram fundamentais para a economia e a cultura local.

Mesmo com a abolição formal da escravidão em 1888, essas mulheres continuaram excluídas de políticas públicas e relegadas à pobreza. Foram viver nas periferias das cidades, sem acesso à educação ou à terra, enfrentando o racismo, o machismo e a ausência total de reparações.

A força da resistência cotidiana

Apesar das adversidades, as mulheres negras do Mato Grosso do Sul mantiveram vivas suas tradições culturais, religiosas e familiares. Em Campo Grande, Corumbá, Aquidauana e outras cidades, formaram redes de solidariedade e resistência. Cuidaram de comunidades, ergueram igrejas evangélicas e terreiros de candomblé, participaram de movimentos populares e criaram filhos em contextos profundamente hostis.

Elas foram as primeiras professoras das crianças negras, mesmo antes de haver escola. Foram também as fundadoras invisíveis de bairros periféricos, onde lideraram associações de moradores, cozinharam em mutirões, organizaram festas religiosas e seguraram as pontas das famílias desestruturadas por um Estado ausente.

Do silenciamento ao protagonismo

A história começa a mudar quando essas mulheres ocupam, pouco a pouco, espaços de representação e decisão. Desde os anos 1990, com o fortalecimento dos movimentos negros em MS, lideranças femininas negras passaram a se destacar. É o caso de Raimunda Luzia de Brito, símbolo da luta por igualdade racial e fundadora do Coletivo de Mulheres Negras de Mato Grosso do Sul, que articula políticas de enfrentamento ao racismo e à violência de gênero.

Na política, na academia, no direito e nas artes, as mulheres negras sul-mato-grossenses têm feito história. Ocupam espaços antes negados e não apenas para “estar ali”, mas para propor mudanças estruturais. Criam ONGs, lideram coletivos, pesquisam suas próprias histórias, resgatam as memórias silenciadas e fazem disso um ato de reparação histórica.

Legado e futuro

Reconhecer a história da mulher negra em Mato Grosso do Sul é um ato de justiça e um passo fundamental para compreender a verdadeira formação social e cultural do estado. Essa história não é feita de vitimismo, mas de força. Não é sobre miséria, mas sobre superação. É uma história que pulsa nos quilombos, nas escolas, nas igrejas, nas universidades, nos bairros da periferia e nos centros urbanos.

E o futuro dessa história está sendo escrito agora. Por jovens negras que ingressam nas universidades, por mães solo que lideram comunidades, por professoras, advogadas, artistas e militantes que transformam dor em ação e opressão em luta.

A mulher negra em Mato Grosso do Sul nunca foi coadjuvante — ela sempre esteve na linha de frente. Cabe a nós, agora, reconhecer, valorizar e garantir que essa história seja contada e celebrada, com todas as vozes que ela merece.

Julho das Pretas valoriza mulheres negras da comunidade quilombola São ...

Claro! Abaixo, apresento uma linha do tempo destacando momentos importantes da história das mulheres negras em Mato Grosso do Sul, acompanhada de imagens representativas:


🕰 Linha do Tempo: A História da Mulher Negra em Mato Grosso do Sul

📍 Século XVIII – Tereza de Benguela: Liderança Quilombola

Tereza de Benguela liderou o Quilombo do Quariterê, resistindo à escravidão por duas décadas na região que hoje corresponde ao estado de Mato Grosso. Sua liderança é símbolo de resistência e luta pela liberdade. (Wikipédia)

📍 1888 – Abolição da Escravidão e Desafios Pós-Abolição

Com a abolição da escravidão, mulheres negras enfrentaram a exclusão social e econômica, sendo relegadas a trabalhos informais e sem acesso a políticas públicas de inclusão.

📍 1939 – Nascimento de Raimunda Luzia de Brito

Nascida em Aquidauana, Raimunda tornou-se assistente social, advogada e uma das principais ativistas pelos direitos das mulheres negras no estado. Fundou o Coletivo de Mulheres Negras Raimunda Luzia de Brito. (Wikipédia)

📍 1990 – Fundação do Instituto da Mulher Negra do Pantanal (IMNEGRA)

Criado em Corumbá, o IMNEGRA, sob liderança de Ednir de Paulo, promove ações voltadas ao empoderamento e defesa dos direitos das mulheres negras na região do Pantanal. (Historiar)

📍 2008 – Reconhecimento da Comunidade Quilombola Tia Eva

A Comunidade Tia Eva, em Campo Grande, recebeu a Certidão de Autodefinição como Comunidade Remanescente de Quilombo, fortalecendo a identidade e os direitos dos moradores, majoritariamente mulheres negras. (Sead MS)

📍 2014 – Instituição do Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra

O dia 25 de julho foi oficialmente reconhecido no Brasil como o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, celebrando a resistência e as contribuições das mulheres negras na sociedade. (Wikipédia)

📍 2023 – Campanha “Eu, Mulher Preta”

Lançada pelo Governo do Estado, a campanha destacou histórias de mulheres negras sul-mato-grossenses, promovendo visibilidade e reconhecimento de suas trajetórias. (Agência de Notícias)


🖼 Imagens Históricas Representativas

1. Comunidade Quilombola São Miguel

Mulheres da Comunidade Quilombola São Miguel
Mulheres negras da Comunidade Quilombola São Miguel participando de evento do Julho das Pretas.

2. Infográfico: Desafios das Mulheres Negras

Infográfico sobre desafios das mulheres negras
Infográfico destacando os desafios enfrentados pelas mulheres negras no Brasil.

3. Homenagem a Tereza de Benguela

Tereza de Benguela
Imagem representativa de Tereza de Benguela, líder quilombola símbolo de resistência.

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Por que escrever? Porque ser preta, consciente e presente é um ato político. https://belldadepreta.com.br/por-que-escrever-porque-ser-preta-consciente-e-presente-e-um-ato-politico/ Fri, 16 May 2025 00:43:09 +0000 https://belldadepreta.com.br/?p=30 Este é o primeiro passo de uma caminhada que vem de longe. Belldade Preta nasce do corpo, da vivência, da coragem e da beleza de ser quem se é: Maria Isabel, Bell. Pessoa preta, em movimento, com voz e visão.

Este espaço é um território de afirmação. Aqui, não se trata apenas de opinião — se trata de existência, memória e enfrentamento. É onde se celebra a pele, os traços, as raízes, e onde se denuncia o silêncio que o sistema insiste em impor.

Falar de beleza preta, autoestima, ancestralidade, racismo, cultura, saberes de quebrada e tudo o que pulsa nos corpos pretos — não é vaidade, é resistência. É escrever com a força de quem entendeu que, se não contarmos nossa história, ela será distorcida ou apagada.

Aqui, cada palavra é grito, acolhimento, espelho e semente.

Se chegou até aqui, sinta-se parte. Esta voz também é sua. Belldade Preta começou. E veio pra ficar.

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